[after vuong]

If I'm lit now What used to be a fag A small 
heat Has grown into a fire
I burn The forest burns The ocean catches Look
at the silence ablaze What 
a sight Finally too bright
[fair youth]

Shall I compare thee to a summer’s day?
Nay, I shall not. A day like that in Brazil scorchèth as Phoebus at his meridian height.
Thou wouldst need sunblock seventy, and drink
coconut water straight from the shell.

And yet, to touch thee were impossible.
Passing hot.
[inteiro]

lembro
separado

o problema
é quando junta
pele a pele
pelo
sim pelo não
[danmark 98]

1 french coffee      45,
2 kaffe/kage       100,
1 ablekage             45,

total                    190,

navn: valentino
This poem is a ladder  
that climbs into itself.  
Each rung is a word,  
each word a step  
toward nowhere but here.
Passei anos
organizando o caos.
Ele chamou isso de identidade.
o caminho terminou
antes de mim 

continuei 
mesmo assim
as palavras acabam

o silêncio
continua afundando
[apophasis]

na estática
entre duas frequências

algo reza
Quanto menos digo,
mais distante estou do silêncio.
A janela aberta.
O vento pensa por mim.
Não chega a falar.
Encostei a mão na palavra.
Ela se mexia.





                                             
                                                f f f f f f f f f f f f f f f f f f f l e c h a
                                             






follow the open windows
for there you may see them, the loved ones who are gone,
not departed in any way the body understands,
and yet no longer here
[astuto]

a pedra não se importa
eu a empurro pra cima
ela volta
[outra vez e sempre]

O arapaçu trama,
espiralando o silêncio, 
um festim velado.
[poética]

perdoem-me
por dizer eu
talvez já não exista

Deus me livre pois
se eu pudesse me livrar
eu me livraria
[salvation]

I tried to solve
religion.

The only solution
was solvation.

for a friend

winter inside the chest
then the small ringing of your call—
like a hinge in the quiet,
an open door 
opening

in that moment
there was neither longing
nor will—

only the end
of its pretense

then this:
a bird
cutting the air

and I,
for an instant,
mistook it
for an argument
[vestígio]

meu sangue
filtrado pelo mosquito
agora estampa o tecido
[echoes in the afterself]

Who am I now: a flicker or a flame?
Who was I before the mirrors broke and names forgot themselves?
These scatterings, those selves in passage—did they bear my shadow or wear my face?
And what wisdom lives in knowing too late:
when all that’s left is the bruise of becoming?
o mosquito acha
que é meu amigo

dou comida
dou abrigo

mal sabe ele
do estampido
que vem comigo
[axioma do desencanto]

sou ideia sem vontade.
o sentido,
um vício herdado.
minha ruína,
a mais lúcida forma de estar.
[jean-claude bernardet]

morreu sem apelos,
como quem entende 
que a esperança é um efeito colateral.

tomou chá de cioran,
amargo como sua lucidez.
em sua xícara nietzscheana,
a última infusão:
um brinde à doença chamada vida.
abismo em mim
o silêncio mastiga
o que resta ser?
corpo sem presença
o tempo varre as pegadas
nada permanece
[conversei com o silêncio até ele chorar]

as árvores estavam despenteadas,
o céu, esquecido num canto.
engoli uma lástima inteira
e ela não me alimentou.
eu poético
ou eu ferido
qual é invenção
e qual é ruído?
[mudança]

solidão nova
mesmo vento, outro vazio
mesmo eu, sem mim
[entre o real e o reflexo]

a consciência se curva
na repetição do instante
o tempo observa
o gesto
vago
[equinócio de setembro]

a flor invisível
pela fresta da janela
sussurra primavera

em minha clausura
[último verso]

morrer sozinho
entre palavras
que não salvam

um poema inexorável—
meu rito de extinção
porta entreaberta
a ausência atravessa o chão
sem fazer ruído.
[pedra no rio]

a pedra
que afunda
é a mesma
que aprende
a moldar correntezas
abismo espera
sem promessa de fundo
só o salto é meu
[apolo e jacinto]

vento atravessa
o corpo amado se dobra
nasce uma flor
asas inquietas
o céu parece perto
do que não existe
[a memória]

ninguém viu cair
mas o vento ainda chora
quando passa ali
Relâmpago frio,
a estrada já se dobra
chove por dentro.
[sonhar é preciso]

sem teto
criei um pinterest
com o que há de mais certo
[à beira do depois]

o chá esfria
a cortina dança 
a tarde cala
[café]

a névoa recua
ao toque morno

sílabas se alinham
na pupila

e o corpo
quase não hesita
[admitting defeat]

partes de mim foram
arrancadas

o suco da vida
pinga em gotas 
secas

não consigo mais
morder a dor
[forma]

   nuvem se dissolve
no espelho do riacho
   canta a cicatriz
[para meus amigos]

não sumi
encolhi

dor demais
para caber no dia

mas volto
quando for poesia
[vontade de potência]

teu silêncio
curva
como vento
o cipreste

em mim
a árvore
resiste

nesse atrito
a resina
ainda
perfuma
Vazio.
A palma aberta.
Concreto liso de espera.
Toque ausente,
Frio, fundo.
Oco na matéria.